Diz um provérbio antigo que "em casa onde falta pão todos brigam e ninguém tem razão". Neste segundo turno, poderia ser adaptado para "campanha em que faltam votos?" Este é o espírito que tem dominado o comando da corrida do presidente Lula à reeleição: acusações mútuas, muita lavação de roupa suja e um fratricídio político típico de quem não esperava um resultado tão ruim como foi o primeiro turno. O maior alvo das críticas é o presidente do PT, Edinho Silva, seguido da primeira-dama, Janja. E não faltam também críticas ao próprio candidato.
É neste clima pesado que Lula convocou três novos coordenadores, o que vai, na prática, diminuir o poder de Edinho na campanha. A coluna apurou que o ex-ministro Camilo Santana vai assumir a coordenação política e o ex-ministro Rui Costa, a agenda. O governador Rafael Fonteles também entrará em campo, assumindo a comunicação.
Lula não tem poupado Edinho. Em reunião com deputados nesta quarta-feira (7), afirmou que reclamou com o dirigente de que esta foi a campanha mais desorganizada desde que ele concorreu pela primeira vez ao Planalto, em 1989, e que estava "aquém" de sua possibilidade. Foi uma crítica dura, que Edinho teve de ouvir diante de todos, ao lado do presidente.
Se a mudança na coordenação pode aplacar a guerra interna no comando da campanha, outra queixa será ignorada por Lula: o protagonismo de Janja nos palanques e nos bastidores. A insatisfação foi verbalizada pela ex-ministra Katia Abreu, mas tem apoio de grande parte dos dirigentes petistas. Segundo "O Globo", Janja afirmou à ex-ministra que sua participação na campanha ocorre a pedido de seu marido, o presidente.
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